Para Anselm Grün, muitas vezes, por detrás de uma atitude de ingratidão manifesta-se uma tal insaciabilidade. Uma avidez por devorar tudo, como um saco sem fundo, um buraco negro… o que não se basta, para o qual tudo é sempre pouco…
Na qualidade de publicitária, não poderia me esquivar da responsabilidade de tratar desse tema… o consumismo. O verbo ter, um dos mais conjugados nos dias atuais, pós-modernos, alimenta a tirania da posse, da falta, da visão egoística e hedonista de que tudo me pertence.
Um círculo vicioso que culmina na escravidão consentida, de inúmeros indivíduos que não conseguem simplesmente valorizar o que já tem, e vivem a incessante sofreguidão de consumir mais e mais.
O prazer fruto da insaciabilidade é tão efêmero, tão fulgaz, que a alienação é tamanha. O senso de necessidade é completamente distorcido e a pessoa se acha carente de tudo que é anunciado e divulgado pela mídia.
Uma vontade patológica impele o indivíduo a comprar, uma espécie de compulsão, na tentativa de suprir de imediato o falto. Vê-se uma profunda inaptidão para lidar com frustrações, uma tolerância baixa para o adiamento de gratificações e prazer.
A insaciabilidade, alimentada pelo consumismo, impede a pessoa de usufruir ou tirar proveito das coisas. Já que nada basta, antes de conseguir sentir gratidão pelo que acabou de comprar, e mais ainda pelo que já se tem, o indivíduo foca o pensamento em ter mais, no que lhe falta.
Precisamos ingerir água… mas não necessariamente água aromatizada H20…. comer alimentos… mas não necessariamente McChicken… usar roupas… mas não necessariamente Zoomp… calçar sapatos… mas não necessariamente Democrata… o necessário e o desejado se confundem quando a porta da ingratidão fica aberta…
A voracidade do consumismo cultiva a ingratidão enquanto atitude… fica um eco… um gap entre o recebido e o apreciado… não há tempo suficientemente hábil para se processar a gratidão: reconhecer, expressar e retribuir. A gratidão é interrompida como um coito. Imagina a ingratidão de um ser humano que é insaciável por natureza e vive sem adiar gratificações (prazeres), adiando a expressão do sentimento de gratidão: Guardar gratidão para si gera uma dívida moral…. a famosa dívida de gratidão.
Pensemos nisso!!!
