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Archive for the ‘bibliografia’ Category

Para Anselm Grün, muitas vezes, por detrás de uma atitude de ingratidão manifesta-se uma tal insaciabilidade. Uma avidez por devorar tudo, como um saco sem fundo, um buraco negro… o que não se basta, para o qual tudo é sempre pouco…

Na qualidade de publicitária, não poderia me esquivar da responsabilidade de tratar desse tema… o consumismo. O verbo ter, um dos mais conjugados nos dias atuais, pós-modernos, alimenta a tirania da posse, da falta, da visão egoística e hedonista de que tudo me pertence.

Um círculo vicioso que culmina na escravidão consentida, de inúmeros indivíduos que não conseguem simplesmente valorizar o que já tem, e vivem a incessante sofreguidão de consumir mais e mais.

O prazer fruto da insaciabilidade é tão efêmero, tão fulgaz, que a alienação é tamanha. O senso de necessidade é completamente distorcido e a pessoa se acha carente de tudo que é anunciado e divulgado pela mídia.

Uma vontade patológica impele o indivíduo a comprar, uma espécie de compulsão, na tentativa de suprir de imediato o falto. Vê-se uma profunda inaptidão para lidar com frustrações, uma tolerância baixa para o adiamento de gratificações e prazer.

A insaciabilidade, alimentada pelo consumismo, impede a pessoa de usufruir ou tirar proveito das coisas. Já que nada basta, antes de conseguir sentir gratidão pelo que acabou de comprar, e mais ainda pelo que já se tem, o indivíduo foca o pensamento em ter mais, no que lhe falta.

Precisamos ingerir água… mas não necessariamente água aromatizada H20…. comer alimentos… mas não necessariamente McChicken… usar roupas… mas não necessariamente  Zoomp… calçar sapatos… mas não necessariamente Democrata… o necessário e o desejado se confundem quando a porta da ingratidão fica aberta…

A voracidade do consumismo cultiva a ingratidão enquanto atitude… fica um eco… um gap entre o recebido e o apreciado… não há tempo suficientemente hábil para se processar a gratidão: reconhecer, expressar e retribuir. A gratidão é interrompida como um coito. Imagina a ingratidão de um ser humano que é insaciável por natureza e vive sem adiar gratificações (prazeres), adiando a expressão do sentimento de gratidão: Guardar gratidão para si gera uma dívida moral…. a famosa dívida de gratidão.

Pensemos nisso!!!

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Há gratidão sem empatia?

Em  O Poder da Empatia (2001) , Katherine Ketcham e Arthur P. Ciaramicoli fazem uma relação interessante entre a gratidão e a empatia. Para os autores sem empatia não é possível conseguir sentir gratidão.

Fiquei pensando nessa frase durante um tempo, procurando ler nas entrelinhas. Os dons de compreensão são característicos da manifestação empática e são expressos pela capacidade de se colocar no lugar do outro, sentir o que o outro está sentindo.

Vale à pena destacar que para esses autores a gratidão não é apenas um sentimento, ela é uma experiêncìa. Como tal, a gratidão que flui da empatia, natural, seria inesgotável, como uma fonte que nunca seca. Nesse círculo virtuoso, a gratidão fortalece a empatia, e vice-versa.

Se consigo ter empatia por alguém, sou capaz também, de reconhecer o que esta pessoa fez de bom para mim, e também, de expressar e retribuir essas benfeitorias. Assim, a gratidão cresce diretamente proporcional ao aumento da empatia, ao modo de uma curva exponencial.

Uma boa reflexão a se fazer, quando tiver dificuldade de expressar gratidão por alguém é pensar: como posso desenvolver a empatia por essa pessoa?

Na sua opinião, caro leitor, é possível vivenciar o sentimento de gratidão sem ter empatia? Em que contextos?

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 A gratidão horizontal tem mais força!

O termo pújá significa em sânscrito um comportamento universal de gratidão, vivenciado em sentido hierarquicamente ascendente.  Isso significa dizer que ele ocorre na relação  filho/pais, aluno/professor, discípulo/mestre, devoto/divindade. Diz-se que jamais ocorre o contrário. E, em essência, se caracteriza como uma manifestação de gratidão vertical, de baixo para cima, uma reverência ou oferenda, por lealdade ou devoção.

No livro “A Força da Gratidão – Pújá, Sérgio Santos (2006) aborda as nuances da teoria e prática do pújá, que se expressa através de pensamentos, palavras, gestos e obras.

Embora seja apresentado como primeiro livro a desmistificar o assunto, a prática do pújá tem raízes nas tradições hindus e na filosofia do Yôga. O livro explora mais o sentido místico da gratidão, daquele que assume a auto-insuficiência perante o outro, sempre maior, mais forte, a ser venerado, adorado. Não menosprezando, é claro, o aspecto cultural da gratidão intergeracional, característica marcante do tratamento oriental distinto, aspecto positivo, fruto da experiência de vida.

No aspecto filosófico o pújá é rico de sabedoria, pois visa agir com abnegação e sem esperar retorno, motivado pela  simples e espontânea satisfação pelo agradecimento, o ato de servir e se doar. 

Mas, pensemos, a gratidão não seria, em tese,  horizontal? Para mim, é. É uma via de mão dupla, que pode tanto se manifestar do pai com relação ao filho, e do filho com relação ao pai, por exemplo.

A homenagem e a honra de receber um auxílio de alguém considerado especial desperta não raro um sentimento de gratidão. O pújá tem um sentido de gratidão inato, mais relacionado com o respeito e  humildade, fruto do reconhecimento com o preceptor, aquele que transmite conhecimentos. Nesta intenção, pode ser considerado uma retribuição de carinho ou uma atitude de agradecer, antes mesmo de receber, o que em si é nobre.

Haveria relação entre adoração e gratidão? O pújá é adoração para o Hinduísmo, e assemelha-se a algumas práticas de artes marciais orientais. Diz-se que a gratidão do discípulo aumentaria a empatia, a sintonia para com o mestre, e facilitaria o aprendizado. 

Adoração, amor extremo, culto, homenagem e veneração exagerada… expressões que pouco combinam com a gratidão… um sentimento espontâneo, simples, sereno, lógico, racional.

A gratidão horizontal, a que flui de um indivíduo para o outro, no momento em que este reconhece, expressa e retribui o sentimento de gratidão vivenciado, ao receber um auxílio, um benefício assistencial concedido, por alguém que é considerado benfeitor.

A gratidão vertical, no sentimento cultural de adoração da sua expressão, é muito emocional, extremada, pulsional, instintiva… gera mais co-dependência, não estimula a auto-estima e a autosuficiência, ainda que, em si, a gratidão não deixe de exprimir uma lacuna existencial que é prestimosamente preenchida. 

Adoração é falta de inteligência! É cegueira mental!. É paixão subserviente! Servilismo burro! Que a essência positiva do pújá seja repensada, desmistificando e desmitificando a sua prática, tornando-a mais horizontal, e menos vertical. Assim, sem dúvida, a força da gratidão será bem maior e mais eficiente, e conseguiremos sobrepujar a reflexão e o discernimento na vivência da gratidão, um sentimento elevado, fruto da inteligência lógica.

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Leituras recomendadas

Oi pessoal,

Algumas leituras (livros) pra começar a pensar no assunto…

1) Agradeça e Seja Feliz! (2009)

Autor: Robert A. Emmons – 304 páginas – Editora Best Seller.

2)O Poder da Gratidão (2008)

Autora: M. J. Ryan – 144 páginas – Editora: Sextante.

3)Gratidão – Um Estilo de Vida (2006)

Autora: Louise L. Hay –  254 páginas – Editora: Nova Era.

4)Despertar a Gratidão (2006)

Autor: Anselm Grun –  91 páginas – Editora: Vozes.

5) Pequeno Guia de Palavras Mágicas (2006)

Autor: Roberto Belli – 48 páginas – Editora: TODOLIVRO.

Vocês encontram facilmente no sebo virtual http://www.estantevirtual.com.br/

Leiam as produções acadêmicas também. São muito interessantes!!!

Boa leitura,

Ka.gratidão

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